A quinta estimativa de 2015 para a safra nacional de cereais, leguminosas e oleaginosas totalizou 204,3 milhões de toneladas, superior 5,9% à obtida em 2014 (192,9 milhões de toneladas) e maior 3.332.005 toneladas (1,7%) que a avaliação de abril, segundo dados do Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE). A estimativa da área a ser colhida (57,5 milhões de hectares) apresentou acréscimo de 2,0% frente à área colhida em 2014 (56,4 milhões de hectares), com acréscimo de 11.585 hectares em relação ao mês anterior. O arroz, o milho e a soja – três principais produtos deste grupo – representaram juntos 91,9% da estimativa da produção e responderam por 86,0% da área a ser colhida. Em relação ao ano anterior, houve acréscimos de 5,4% na área da soja, de 0,8% na área do milho e na área de arroz houve redução de 3,4%. No que se refere à produção, houve acréscimos de 2,1% para o arroz, 11,4% para a soja e de 0,4% para o milho.
Entre as Grandes Regiões, o volume da produção de cereais, leguminosas e oleaginosas apresentou a seguinte distribuição: Centro-Oeste, 84,0 milhões de toneladas; Região Sul, 77,1 milhões de toneladas; Sudeste, 18,7 milhões de toneladas; Nordeste, 18,5 milhões de toneladas e Norte, 6,0 milhões de toneladas. Comparativamente à safra passada, foram constatados incrementos de 10,3% na Região Norte, de 17,7% na Região Nordeste, de 4,2% na Região Sudeste, de 8,9% na Região Sul e de 1,2% na Região Centro-Oeste. Nessa avaliação para 2015, o Mato Grosso liderou como maior produtor nacional de grãos, com uma participação de 24,2%, seguido pelo Paraná (18,3%) e Rio Grande do Sul (16,1%), que somados representaram 58,6% do total nacional previsto.

No Levantamento Sistemático da Produção Agrícola de maio destacaram-se as variações nas seguintes estimativas de produção, comparativamente ao mês de abril: algodão herbáceo (+3,7%), arroz (+1,3%), café arábica (+2,7%), feijão 1ª safra (-3,4%), feijão 3ª safra (+6,5%), milho 1ª safra (-0,9%), milho 2ª safra (+6,6%), soja (+0,7%) e trigo (-6,1%).

ALGODÃO HERBÁCEO (em caroço) – Em estado de desenvolvimento vegetativo avançado, a cultura do algodão apresenta expectativa de produção de 4,0 milhões de toneladas, 3,7% superior ao mês anterior. O clima favorável em Mato Grosso e Bahia, principais estados produtores, influenciou no aumento da estimativa do rendimento médio, que subiu de 3.741 kg/ha para 3.835 kg/ha, alta de 2,5% comparado ao mês de abril. Estima-se que o Mato Grosso participe com 56,9% de toda a produção nacional. Com área plantada de 570.508 hectares e rendimento médio de 3.955 kg/ha, a perspectiva de produção é de 2,3 milhões de toneladas, 1,6% maior em relação a abril. A Bahia traz este mês aumento de produção de 8,9% frente ao mês anterior, alcançando 1,2 milhão de toneladas. O aumento da estimativa foi influenciado tanto pelo aumento de 3,3% da área plantada, quanto pelo aumento de 5,4% no rendimento médio, que passou de 3.423 kg/ha para 3.608 kg/ha, considerável aumento de 185 kg/ha.

ARROZ (em grão) – A estimativa de maio para a safra nacional 2015, informa uma área colhida de 2,3 milhões de hectares, com uma produção de 12,4 milhões de toneladas e rendimento médio de 5.468 kg/ha, maior, respectivamente, 0,1%, 1,3% e 1,2%, quando comparados aos dados do mês anterior. A Região Sul é responsável por 78,9% da produção nacional. O Rio Grande do Sul, maior produtor do país, com 68,8% da produção nacional, informou produção de 8,5 milhões de toneladas e rendimento médio de 7.617 kg/ha, maiores, respectivamente, 1,7% e 1,8% quando comparado com o mês anterior. Já a área colhida encontra-se 0,1% menor. O clima comportou-se de forma favorável durante a colheita das lavouras, contribuindo para aumentar a qualidade do produto e o rendimento médio que apresentou um ligeiro aumento.

CAFÉ (em grão) – A estimativa da produção de café este mês somou 2,6 milhões de toneladas ou 43,2 milhões de sacas de 60 kg, apontando crescimento de 1,9% em relação ao mês anterior. Os dados refletem melhoria das condições climáticas e tratos culturais nas principais regiões produtoras de Minas Gerais, estado responsável por 54,2% da produção do país. Minas Gerais responde por 71,5% da produção do café arábica, tendo estimado uma produção de 1,4 milhão de toneladas este mês, aumento de 3,8% em relação a abril. O rendimento médio aumentou 4,2%, passando de 1.353 kg/ha para 1.410 kg/ha.

FEIJÃO (em grão) – A estimativa para a área plantada com feijão diminuiu 0,2% em maio de 2015, em relação a abril. A estimativa de produção também foi reduzida em 0,7%, apesar do rendimento médio esperado ter aumentado 1,1%. Neste levantamento, os maiores produtores são Paraná com 22,3%, Minas Gerais com 16,1% e Bahia com 11,3% de participação na produção nacional. A 1ª safra de feijão está estimada em 1,5 milhão de toneladas, o que representa uma queda de 3,4% frente à estimativa de abril, refletindo a redução de 1,8% na estimativa da área plantada e de 4,5% na área a ser colhida. Para o rendimento médio, foi estimado um aumento de 1,0%. Nesta estimativa de maio, os maiores produtores desta safra de feijão são Paraná (22,7%), Ceará (13,4%) e Minas Gerais (11,2%). A redução da produção estimada para este mês foi influenciada, principalmente, pelas estimativas nos estados da Região Nordeste, Ceará (-14,6%), Piauí (-22,9%) e Paraíba (-36,2%). No Estado do Ceará, a redução na produção decorreu da escassez e do atraso das chuvas, que resultaram na exclusão do produto nos municípios de Quixeramobim e Jati, na redução da área em Boa Viagem, Lavras da Mangabeira e Aurora e no decréscimo do rendimento em Senador Pompeu e Pereiro. Quanto ao feijão 3ª safra, conjuntamente com o aumento de 7,0% na estimativa da área plantada, a expectativa de produção subiu 6,5% ficando em 440 mil toneladas. Minas Gerais apresenta-se como maior produtor para a 3ª safra, com 46,2% de participação no total nacional, não tendo acusado mudanças significativas em suas estimativas frente ao mês de abril. Goiás, segundo maior produtor dessa safra com 26,9% do total produzido no país, manteve as estimativas do mês de abril. Mato Grosso, terceiro maior produtor, aumentou a estimativa de área plantada em 78,3% motivado pela recuperação no preço do produto. Esse aumento de área, conjuntamente com o aumento de 4,2% na estimativa do rendimento médio, apontam para um aumento de 85,9% na estimativa de produção.

MILHO (em grão) – A produção total de milho estimado para esta safra é de 79,0 milhões de toneladas, alta de 3,6% em relação ao mês anterior, refletindo o forte aumento de 6,6% da produção do segunda safra. A estimativa de produção do milho primeira safra caiu 0,9% em relação ao mês de abril. O encerramento da colheita trouxe dados sobre as consequências da seca enfrentada pela região Nordeste do país, onde houve redução de 7,2% frente ao mês anterior. A Bahia, o principal estado produtor do Nordeste com 7,7% da produção nacional, estima que a produção tenha reduzido 12,5%, passando a 2,4 milhões de toneladas. O rendimento médio foi reduzido em 8,6%, totalizando 4.317 kg/ha ou 72,0 sacas/ha. Os três estados maiores produtores, Rio Grande do Sul, Minas Gerais e Paraná, mostraram leve recuperação nas estimativas em relação a abril. Minas Gerais reviu para cima a expectativa de rendimento médio, que passou a ser de 5.619 kg/ha, 0,9% superior a abril, também elevando em 0,5% a área colhida, refletindo na produção, que este mês aumentou 1,4%, sendo aguardados 5,5 milhões de toneladas. O Rio Grande do Sul estima produção de 5,6 milhões de toneladas, alta de 2,5% em relação a abril, enquanto o Paraná aguarda alta de apenas 0,2% na produção, totalizando 4,7 milhões de toneladas. Segundo dados do GCEA/PR, a comercialização da cultura no estado tem se dado de forma normal, sendo que no decorrer do mês de maio, os preços praticados com os produtores oscilaram com maior frequência entre R$ 18,50 e 21,50 a saca de 60 quilos. Calcula-se que até o final do mês cerca de 70% da produção já tenha sido comercializada. A safra do milho segunda safra foi favorecida pela melhora do regime de chuvas, notadamente em Mato Grosso, que informou que a alta da estimativa da produção em maio frente ao mês anterior foi de 14,8%, o equivalente ao acréscimo de 2,43 milhões de toneladas, produção estimada passado para 18,8 milhões de toneladas. A estimativa do rendimento médio, de abril para maio cresceu 8,0%, aumento de 5.147 kg/ha para 5.561 kg/ha, maior 414 kg/ha. O Paraná elevou sua estimativa de produção para 10,4 milhões de toneladas, aumento de 3,4% em relação ao mês anterior. Esta alta é consequência da elevação de 3,3% no rendimento médio, que passou a ser de 5.487 kg/ha ou 91,5 sacas/ha. Ao todo, o País aguarda colher 48,5 milhões de toneladas nesta 2ª safra do milho, 6,6% a mais que a informada no mês anterior.

SOJA (em grão) – A estimativa da produção de soja é de 96,3 milhões de toneladas, alta de 0,7% em relação a abril, o que equivale a 647.476 toneladas a mais. Essa alta decorre do aumento de 0,7% da área colhida. O Mato Grosso, principal produtor da leguminosa no país, estima leve retração de 0,2% na produção que passou a ser 27,6 milhões de toneladas, em decorrência, principalmente, da redução de 1,1% no rendimento médio, reavaliado em maio em 3.099 kg/ha ou 51,7 sacas. O Rio Grande do Sul obteve um aumento de 3,2% na produção frente ao mês anterior, refletindo condições climáticas favoráveis, sendo aguardada produção de 15,6 milhões de toneladas. O rendimento médio foi elevado em 3,0%, totalizando 2.976 kg/ha ou 49,6 sacas/ha.

TRIGO (em grão) – A estimativa de produção é de 7,3 milhões de toneladas, numa área a ser plantada de 2,5 milhões de hectares, menor, respectivamente, 6,1% e 10,5%, quando comparados aos dados do mês anterior. Já o rendimento médio esperado de 2.914 kg/ha, encontra-se 4,8% maior. A Região Sul, maior produtora, responsável por 92,1% da produção nacional, aguarda uma produção de 6,7 milhões de toneladas, numa área plantada de 2,3 milhões de hectares, menores, respectivamente, 6,6% e 11,2%, quando comparados aos dados do mês anterior. O rendimento médio de 2.888 kg/ha encontra-se 5,1% maior. No Paraná o plantio do cereal totaliza até o momento 62% do previsto. As lavouras até então implantadas encontram-se nos estágios de germinação (20%) e de desenvolvimento vegetativo (80%), segundo dados do GCEA/PR. O Rio Grande do Sul estima-se que 11% da área prevista já esteja semeada no Estado. O Paraná e O Rio Grande do Sul, na atual estimativa, são responsáveis por 88,5% da produção nacional.

Dentre os vinte e seis principais produtos, doze apresentaram variação percentual positiva na estimativa de produção em relação ao ano anterior: amendoim em casca 1ª safra (0,3%), amendoim em casca 2ª safra (2,4%), arroz em casca (2,1%), aveia em grão (54,1%), café em grão – arábica (0,9%), cevada em grão (22,1%), feijão em grão 1ª safra (4,2%), mamona em baga (139,0%), mandioca (4,2%), milho em grão 2ª safra (0,7%), soja em grão (11,4%) e trigo em grão (18,9%). Com variação negativa foram quatorze produtos: algodão herbáceo em caroço (7,6%), batata – inglesa 1ª safra (0,7%), batata – inglesa 2ª safra (2,6%), batata – inglesa 3ª safra (20,6%), cacau em amêndoa (10,6%), café em grão – canephora (16,9%), cana-de-açúcar (1,5%), cebola (5,1%), feijão em grão 2ª safra (1,8%), feijão em grão 3ª safra (6,4%), laranja (7,0%), milho em grão 1ª safra (0,3%), sorgo em grão (9,4%) e triticale em grão (15,6%). O incremento de produção mais significativo, em números absolutos, superando a 2,0 milhões de toneladas, na comparação com a safra 2014, ocorreu para a soja (9.837.268 t). Nesta comparação anual, a maior variação negativa, em números absolutos, foi observada para a cana-de-açúcar (-10.028.915 t).

O Levantamento Sistemático da Produção Agrícola (LSPA) é uma pesquisa mensal de previsão e acompanhamento das safras dos principais produtos agrícolas, cujas informações são obtidas por intermédio das Comissões Municipais (COMEA) e/ou Regionais (COREA); consolidadas em nível estadual pelos Grupos de Coordenação de Estatísticas Agropecuárias (GCEA) e posteriormente, avaliadas, em nível nacional, pela Comissão Especial de Planejamento Controle e Avaliação das Estatísticas Agropecuárias (CEPAGRO) constituída por representantes do IBGE e do Ministério da Agricultura, Pecuária e do Abastecimento (MAPA). Em atenção a demandas dos usuários de informação de safra, os levantamentos para cereais (arroz, milho, aveia, centeio, cevada, sorgo, trigo e triticale), leguminosas (amendoim e feijão) e oleaginosas (caroço de algodão, mamona, soja e girassol) foram realizados em estreita colaboração com a Companhia Nacional de Abastecimento (Conab), órgão do Ministério de Agricultura, Pecuária e Abastecimento (MAPA), continuando um processo de harmonização das estimativas oficiais de safra, iniciado em março de 2007, para as principais lavouras brasileiras.

 

Fonte: Agência IN