O Centro-Oeste foi a região do País mais contemplada pela nova fase do PIL (Programa de Investimento em Logística), anunciado pelo governo federal no último dia 9. Caso as principais obras previstas no programa saiam do papel, a região deve receber R$ 53,1 bilhões — ou 38% do total de R$ 141,3. O Norte, com R$ 30,9 bilhões (22%), aparece em segundo lugar.

Entre os investimentos previstos para as duas regiões, porém, está a Ferrovia Bioceânica, uma das obras mais contestadas do programa — cujo investimento previsto é de R$ 40 bilhões.

O economista Mansueto Almeida, técnico licenciado do Ipea (Instituto de Pesquisa Econômica Aplicada), afirma que ainda há muito para se fazer para que a ferrovia dê certo.

— Não tem plano, não tem estudo. Então é muito difícil prever o quanto vai custar, se é viável.

Luciano Amadio Filho, presidente da Apeop (Associação Paulista de Empresários de Obras Públicas) e diretor-administrativo da CVS Construtora S/A, afirma que, para que a ferrovia seja viável, é preciso pensar primeiro na produção de mercadorias.

— Tem que começar a produção aqui para depois levá-la ao Pacifico. Atualmente a produção já tem por onde escoar. De qualquer forma, uma nova forma de escoamento pode ser interessante. Hoje, como não se tem mais estoque, a saída da mercadoria é relevante.

Mesmo sem a Bioceânica, o Centro-Oeste permanece a região mais beneficiada pelo programa, com R$ 33,1 bilhões ou 33% dos R$ 101,3 bilhões.
O Norte, porém, cai para a última posição entre as regiões, com R$ 10,9 bilhões — superado pelo Nordeste (R$ 22,2 bilhões), Sul (R$ 18,7 bilhões) e Sudeste (R$ 10,9 bilhões).

Para chegar aos números, o R7 levou em conta apenas as obras mais importantes do PIL, desconsiderou um investimento R$ 57,1 bilhões destinado a conservação de rodovias já privatizadas, a portos de uso particular e a aeroportos regionais.

Infraestrutura já existente

Parte do investimento previsto no PIL 2 é em infraestrutura já existente. Se as empresas brasileiras e estrangeiras se interessem efetivamente em construir e reformar rodovias, ferrovias, portos e aeroportos do País, R$ 4 em cada R$ 5 serão destinados a projetos que precisam sair do papel, ou seja, obras que não existem.

Considerando que a decolagem perfeita de todos os projetos anunciados pela equipe econômica, o destino de R$ 156,3 bilhões será novos empreendimentos (veja detalhes no quadro abaixo).

São os casos dos aeroportos de Fortaleza, Salvador, Porto Alegre e Florianópolis; da Ferrovia Norte-Sul; de terminais nos portos de Santarém (PA) e Santos (SP); e de rodovias federais que rasgam sete Estados brasileiros.

A diferença de R$ 42,1 bilhões terá as concessões já existentes como destino — isso representa 21,2% do total. Em outras palavras, rodovias, ferrovias, portos e aeroportos que já estão sob a responsabilidade da iniciativa privada receberão esse aporte extra a fim de melhorar as condições de mobilidade no País.
Aeroportos

No caso dos aeroportos, todos os R$ 8,5 bilhões investimentos vão aterrissar em terminais que já existem e estão sob o controle da Infraero (estatal que administra os aeroportos), mas precisam de ampliação e modernização.

O governo projeta R$ 1,8 bilhão para o aeroporto de Fortaleza; R$ 3 bi para o de Salvador; R$ 1,1 bi para o de Florianópolis; R$ 2,5 bi para o de Porto Alegre; e R$ 78 milhões para terminais regionais no interior de São Paulo e de Goiás.

Ferrovias

No caso das ferrovias, dos R$ 86,4 bilhões projetados em investimentos, R$ 70,4 bilhões devem ir efetivamente para novos trilhos — ou 81% do total.

Somente a Ferrovia Norte-Sul deverá receber R$ 12,7 bilhões em investimentos, enquanto o trecho brasileiro de 3.500 km da Ferrovia Bioceânica — que ligará o País ao oceano Pacífico — deverá consumir outros R$ 40 bilhões.

Vale lembrar que essa obra seria feita em parceria entre Brasil, Peru e China e ainda está em fase de estudos técnicos.

Rodovias

As rodovias que serão concedidas à iniciativa privada vão receber R$ 3 em cada R$ 4, conforme as previsões de investimento do governo. Dos R$ 66,1 bilhões, R$ 50,8 bilhões vão para obras que ainda vão sair do papel, com cinco leilões previstos ainda para este ano e outros 11 para 2016.
Investimentos projetados para os portos totalizam R$ 37,4 bilhões
Agência Brasil
Para este ano, segundo o governo, 2.603 km de estradas que cortam sete Estados deverão ser privatizadas. É o caso do trecho de 976 km da BR-163, entre Sinop (MT) e Itaituba (PA), cujo objetivo é aumentar escoamento de grãos pelos portos da região Norte e Nordeste. O repasse previsto é de R$ 6,6 bi.

Outra rodovia no radar das concessões são 704 km das BRs 364 e 060, entre Goiânia (GO) e Rondonópolis (MT), com investimento estimado em R$ 4,4 bilhões.

Portos

Para completar, pouco mais de 70% do volume de recursos para os portos vão efetivamente ancorar em novas obras. Dos R$ 37,4 bilhões previstos para concessões no setor, 26,6 bilhões vão para novos empreendimentos.

São os casos dos 29 terminais nos portos de Santos (SP) e no Pará, com investimento previsto de R$ 4,7 bi; áreas de armazenamento nos portos de Suape (PE), Manaus (AM), Paranaguá (PR), entre outros; e a autorização em análise para 63 TUPs (Terminais de Uso Privado) em 16 Estados do País, perfazendo investimentos da ordem de R$ 14,7 bilhões.

 

Fonte: R7